23 de Junho de 2009

a mina dos tomates

é realmente legal quando seu namorado fica fora por três dias enquanto sua respiração fica em suspenso e quando volta simplesmente dorme no sofá e depois na sua cama como se não houvesse amanhã. bom, amanhã tem. hoje é que eu estou vendo que não vai ter. i do have serious trust issues, i might say. mas isso é criado com o bolo fermentado por um relacionamento mezzo neurótico e destrutivo e mezzo paradisíaco e prolífico. that's life, disse o frank sinatra. ou melhor: cantou, porque quem escreveu a música foram uns outros caras cujo nome me foge.

oi, tudo jóia? eu gostaria de avisar que vou ignorar a reforma ortográfica até o fim dos meus dias. como é que você vai saber se o seu amigo estava doido ou doído? ou doido por estar doído? ou... enfim. acho que já falei disso aqui. não tenho lido este blog. tenho ligo isaac o pirata. quer dizer, acabei de começar. e a pronopopéia do reinaldo moraes, que tem sido meu maior leitor de emails. e tenho dormido. muito. pra evitar alguma catástrofe explosiva. e tenho visto a minha filha, mini me. só que quando começam a me pressionar dá vontade de fugir de casa. mesmo morando sozinha - ou com meu namorado, não sei ao certo. de qualquer maneira, dá vontade de pegar o passaporte e ir. sem nada. só ir. já disse que não estou no ápice do meu equilíbrio. estamos tentando, eu e o dr.dnm. vou bem conseguir. mas quando tem um monte de gente à sua volta te cobrando e te enlouquecendo ainda mais fica bem difícil. quando os outros jogam as bombas em mim eu tenho que agüentar e limpar os cacos. quando eu implodo acontece o quê? neguinho joga tomate. não pode. mulher mãe não pode enlouquecer, tem que ser o pilar e o exemplo. homem pode ir pra ilha galápagos e pro deserto do atacama ou simplesmente sair de mochilinha quando a sua saúde mental inexiste e te deixar sozinha no escuro. você pode ceder quarto para a família alheia, agüentar doze toneladas de merda na sua vida, mas quando convier, todos esquecem e você é novamente a vilã do tomate. eu já me mantive firme como um rochedo diante das maiores merdas. agora eu esfarelei, com licença? as pessoas têm direitos.

parece que eu só leio bukowski. não é verdade. nem li todos os seus romances. os livros de poema sim, me interessam. então aqui vai um. mais um. tenho vários na fila, mas este me é muito caro neste momento e tem a ver com a letra do peter doherty que postei outro dia. o inferno não são os outros, são apenas os idiotas. estou com uma preguiça monumental de traduzir. talvez amanhã. hoje não dá. um beijo.

wasted

too often the people complain that they have
done nothing with their
lives
and then they wait for somebody to tell them
that this isn’t so.
look, you’ve done this and that and you’ve
done that and that’s
something.
you really think so?
of course.

but
they had it right.
they’ve done nothing.
shown no courage.
no inventiveness.
they did what they were taught to
do.
they did what they were told to
do.
they had no resistance, no thoughts
of their own.
they were pushed and shoved
and went obediently.
they had no heart.
they were cowardly.
they stank in life.
they stank up life.

and now they want to be told that
they didn’t fail.
you’ve met them.
they’re everywhere.
the spiritless.
the dead-before-death gang.

be kind?
lie to them?
tell them what they want to hear?
tell them anything they want to hear?

people with courage made them what they
aren’t.

and if they ask me, I’ll tell them what they
don’t want to hear.

it’s better you
keep them away from me, or
they’ll tell you I’m a cruel man.

it’s better that they confer
with you.

I want to be free of
that.

c.b.


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*