20 de Agosto de 2011

Amargassauras Sperandus

foreveralone

Meu antepassado Amargasaurus cazuei

"Ame desbragadamente. Pois sem amor não dá nem pra atravessar a rua."

João Antônio

Aí eu penso: Mas eu amo. Amo amigos, amo livros, amo músicas. Amo muito, amo daquele jeito que faz o coração dar piruetas.

Só que tem aquele estado que só o ~fogo da paixão~ consegue acender. Amorzinho, sabe? E é dele que eu preciso pra querer escrever certas coisas. Não as coisas que precisam ser escritas; as coisas que eu gosto de escrever. Aquelas que sangram, que pulsam, que têm voz própria. Aquelas mesmas, sabe? Sabe? Que bom.

Há anos não sai nada assim. Nunca tive bloqueio criativo, sempre que precisei escrever algo, consegui - mesmo que não de formas muito, digamos, convencionais. O importante é o texto, né?

Isso de agora não é bloqueio criativo. É falta de tesão mesmo.

Tudo é momento. Esses textos também são momentos. Eles levam o que está em mim naquele instante, naqueles dias, naquela fase. Tem muita coisa minha que eu leio e escondo o rosto nas mãos. Como pude? Era eu, claro que era eu. Esta mesma eu aqui. Mas às vezes pensando de maneira torta, cega, errada, equivocada. Talvez eu leia este texto em alguns anos e pense a mesma coisa.

Não tem problema.

Não fico discutindo com o passado. Ele fica aí, registrado. E não acho que condene ninguém. A gente vai aprendendo coisas ao longo da vida. O tempo é meu aliado e eu não desaprendo o que já aprendi. Então pronto. A não ser que você tenha cometido um crime hediondo, vive-se com o passado.

O problema é que a falta de inspiração não afeta só essa parte criativa. Quando rola a *fagulhinha*, tudo fica bom. Você sabe, né? O mundo todo fica belo, até um pneu morto fica belo, a chuva é romântica, frio é bom, calor é bom, dormir é bom, acordar é bom... Meio difícil ter toda essa alegria de viver quando tudo que você faz é trabalhar e acordar sozinho numa casa enorme.

Mimimi.

Mi.

Mi.

É, tô amarga mesmo. Eu sei que passa, mas tá difícil, amizade. Tá bem difícil.

Esse status indisponível não serve pra mim.

E se alguém estiver pensando em me mandar ARRUMAR UM NAMORADO pode já dar um pouco de bunda sem eu ter que mandar.

Bêj.


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*