05 de Março de 2010

BOURBON, TEQUILA, CACHAÇA E CERVEJA = DEITANDO NO PALCO

ANTONTI

acho que o título meio que resume o que aconteceu no dia em que fui cantar. dicas de averbuck: não misturar estas bebidas. como se eu já não soubesse. como se o mundo já não soubesse. mas é assim: estou na bahia. o bar era um reduto de pegação e fui obrigada a sacudir um número de latinos do meu pé. eu sou boa nisso. ainda pretendo escrever um livro de anti-ajuda: como fazer inimigos e repelir pessoas. várias lições. enfim, conheci um pianista de NY chamado david que toca como um semideus. tocamos summertime e black to black. depois entrou a banda. tocamos let it bleed, minha definição de amor e companheirismo, mas minha memória está se esvaindo. let it bleed eu não esqueço, porém consegui esquecer letras de músicas que canto há anos. quer dizer, quem esquece walkin' the dog? eu. quem esquece under my thumb ou it's all over now? e confessin’ the blues? eu. então decidi ser performática e deitar no chão pra colar das letras que estavam aos meus pés em meu inseparável caderninho. o pessoal ficou mei chocado. oh.
aí fui beber com meu marido emprestado. francamente, estava com meu saco completamente cheio de câmeras, luzes e microfones dipindurados em mim e queria quinze minutinhos de privacidade. mas não. não podia. aí né? vim pra casa. “casa”. de fato é uma casa, mas não a minha. dillon teve umas alergias a frutos do mar e jason queria voltar para casa. eu queria meus quinze minutinhos. aí ele disse “my house is not a fuckin hotel” e eu notei assim sutilmente que ele queria que eu voltasse junto. achei justo. porque quando chegamos em casa sentamos na cozinha bebemos mais cerveja e viramos bróders finalmente. eu já estava bróder dos filhos, mas agora tenho também um bróder adulto.
e assim foi.

meu amigo adulto e maduro fazendo o wolverine

ONTEM

resumindo – pois estou sob pressão e nem postar diariamente me deixam mais: acordei numa ressaca do cão (favor ler o título do post) e fomos a um parque aquático. me divertiria horrores se não estivessem tocando músicas que me ferem. dei uma entradinha na água, vi que o corte no meu pé está incrivelmente nojento e que não posso mais andar de chinelas por aí, fiz uma tatuagem cujo desenho era muito legal.

eu e meu filho mais velho

eu e ryan demoramos horas para achar um, mas aconteceu- uma homenagem singela ao meu marido mas ficou bem cagada e eu tirei em aproximadamente quinze minutos manchando minha belíssima camiseta da apego. depois fomos jantar em um restaurante sensacional com um proprietário muito solícito na beira da praia. comi como um puma faminto, tomei um banhozinho de mar esperando encontrar plâncton (mas eles não compareceram) e fomos todos para casa exaustos.

dillon ainda queria ver o batman - the dark knight - mas quando cheguei lá com o computador ele já tinha capotado. ryan também estava com sono, eu também estava com sono mas acabamos novamente eu e jason bebendo e conversando na cozinha. eu estava literalmente ouvindo histórias de marinheiro. o cara já esteve no mundo inteiro e tem sete bilhões de histórias para contar. bebemos e conversamos sobre o mundo, o universo e tudo mais. dormi feliz no meu casulo-mosquiteiro ouvindo dave matthew’s band pra ficar mais pertinho do meu marido. queria muito que ele e cata estivessem aqui.

HOJE

preciso organizar uma festa para mim mesma no dia de hoje. jason vai convidar as pessoas – conheço 01 pessoa aqui e ela mandou dizer que não comparecerá – e será no bar onde a daniela trabalha, o ethnic ou algo parecido. discotecarei com meu ipod e espero que as pessoas gostem. não tocarei poprock - só pra constar. jazz, blues, soul & rhythm&blues. é minha festa, não? então vou lá ver isso que está ficando tarde.

abracinhos da calmaria,

….

oquei. festcheencha de despedida de desconhecidos. eu queria mesmo era ficar na piscina com o ryan e os amigos dele. mas bora pra festa que o tempo está se esgotando. então vou festar que isso eu bem sei fazer.

woo-hoo,

c.


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*