06 de Maio de 2011

bullying (mas ao contrário)

eu não era uma pessoa vingativa. quer dizer, eu ainda não sou. só pratico as vingancinhas previstas em lei. nada agressivo, só tiração mesmo. vingança séria não tem graça e deve fazer mal pro fígado.

mas teve um episódio que eu não pude deixar de lado. um blogueiro aqui do R7, muito furreco, resolveu escrever um texto completamente sem noção falando sobre o troca de família. falando da minha vida. não a minha vida falsa que apareceu na tv. a minha vida mesmo.

olha.

já me conformei com o fato de o troca de família será assunto para o resto da minha vida. nem perco mais tempo explicando que aquela moça que apareceu na tv cantando mal na bahia saiu de uma fase negra e agora, depois de participar de reality show e ter que pegar metrô pra trabalhar, percebeu como o truquezinho de roteiro de contar o final da história funcionou bem até demais. no metrô, na rua, no restaurante, sempre tem alguém sabendo que eu sou a moça do troca de família. claro que eu não gosto. minha mãe não me criou pra ser a corna da tv. eu publico desde os DEZESSETE ANOS. tenho QUATRO LIVROS que foram adaptados para o cinema e para o teatro. ganhei um edital da petrobrás para escrever um livro infanto-juvenil. lancei um livro na inglaterra por uma editora de NY. cacete, eu faço tanta coisa além de cantar mal na bahia e de ser corna! cejura que é por isso que eu vou ficar conhecida? vai, participa de reality show. parabém pra mim. que bosta.

fazer o quê? piada. pra sempre.

it's either that or the grave.

mas aí aparece um imbecil que, além de nem argumento ter, foi escrever a respeito da minha filha. eu até ia processar, mas a idéia de gastar dinheiro com uma pessoa tão pequena me desencorajou.

pois bem.

analisemos o texto (que, não bastasse ser ridículo, ainda é mal escrito)

talento puro

ZzzZZZzzZZ

1. o programa chama "troca de família".

2. o programa conta com uma mágica chamada "edição". xoapresentar vocês: edição, blogueiro - blogueiro, edição. foram usadas três horas (dois programas de UMA HORA E MEIA) de UMA SEMANA de gravação. cejura que acha que viu tudo?

cejura que acha que sabe como eu crio a minha filha?

cejura que acha que pode julgar a vida de uma pessoa por um reality show gravado UM ANO antes da exibição? certo. estamos lidando com uma pessoa que acredita em edição de reality show. já diz muito.

cejura que minha filha transparece uma criança que presencia brigas o tempo todo? por falta de estrutura familiar? não sei se deu pra notar, mas aquele rapaz com quem eu era casada não é o pai dela (ainda bem: o pai dela pode ter mil defeitos, mas caráter ele tem). a catarina é uma criança extremamente feliz e muito inteligente, MUITO inteligente, cheia de personalidade. quem conhece (ao vivo, na vida, não na televisão) sabe bem. mas você não conhece, né? pois é.

cejura que jogou toda a "culpa" pra mim? ela não teria pai, padrasto, madrasta? é isso? a culpa seria só da mãe. a mãe desequilibrada.

... e feia.

e esse papo dos seus amigos contarem de barracos? onde que eu dou barraco? cantar mal na bahia é dar barraco? deixa eu anotar aqui então pra não cometer essa gafe no meu próximo reality show.

pode fazer uma convenção aí com todos os meus ex-namorados - vai dar um pouco de trabalho pra reunir todos e talvez precise fretar uns busão lá do sul e trazer uma galera do exterior. o único que vai descer o cacete nimim é obviamente o idiota do meu ex-marido que você *defende*.

acho incríveis as lendas a meu respeito. outro dia eu descobri que fazia michê (serei eu então um homossexual masculino prostituído?), tinha um *senhor que me ajudava* e que eu matei um cara. curto muito.

e eu queria muito saber quando eu gritei com a atual de algum ex. Rs

ah, e isso de assistir o programa... foi idéia minha não. só digo isso. eu nem ia assistir o programa, tava morrendo de vergonha.

prossigamos:

cultuada entre as mulheres neuróticas paulistas. Rs

curti.

não acho que os homens me massacram, gatinho. só escolho muito mal as minhas companhias masculinas, nisso você tá super certo. e eu não odeio homem não. eu adoro. e os que *caíram na minha mão* não costumam reclamar.

agora, que coisa mais feia justificar traição. em rede nacional. cadê modelo de família estruturada supracitado? que contradição feia para um blogueiro de sucesso. tsc

... e feia.

bom. depois disso ele continuou praticando bullying imaginário contra mim e as minhas amigas. mas agora sem citar nomes. talvez tenha sido apresentado à senhora responsabilidade jurídica depois dessa pérola de literatura de internet.

daí que na semana passada eu e @alesie estávamos maquiando para gravar o tricô e eis que surge essa criatura abençoada por lá. lelê tentou me avisar mas eu não percebi o sms e estava na outra sala. lelê disse que engoliu a raiva e ficou quietinha. gente, meu sonho encontrar essa pessoa. porque ficar escrevendo merda em blog é fácil. quero ver falar na minha cara. quero ver ter toda essa atitude e opinião na minha frente. ele ia fazer um programa ao vivo na record news. bolamos um plano: bullying, mas ao contrário. eu *jamais* comprometeria um programa ao vivo por causa duma briga pessoal. jamais faria barraco - acredite ou não, eu não faço barraco. eu tenho um jeitinho rudezinho mas é só o meu jeito, sou gauchona. mas não sou barraqueira. eu inclusive separo brigas em vez de começá-las.

então a gente fez o seguinte:

era pra querer entrar no cu mesmo. e se calar pra sempre sobre o assunto. mas não. a pessoa é mais sem noção do que a gente imaginava.

a pessoa vai lá e escreve o seguinte:

ai, moço. sério.

ataque?

quem começou essa merda?

pára de se constranger e vai escrever umas resenhas de feijão com caldo ralo. nisso você e incrivelmente bom. mas ao contrário.


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*