01 de Março de 2011

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empurrem as travas

pois bem. eu e @diegomaia fomos assistir bruna surfistinha. como gostamos de ambientar as histórias, escolhemos o cine marabá, no centro de são paulo. perfeito: já no começo, o filminho de segurança do cinema continha a seguinte frase: "para sair, empurre as travas". todo um novo contexto que fez toda a diferença, assim como as reações dos gays e das putas e das, ahn, travas que nos faziam companhia naquela sala.

cena um: jovenzinha loga em uma peepcam. gostosa. rebolando. mostrando a boquinha. visualizei a bruna surfistinha original com aquela boca hmmm peculiar e tremi.

opa

já posso descer o cacete? posso: débora secco é de uma inexpressividade quase alarmante. uma só expressão facial para: rejeição do irmão, bullying na escola, trepada com cliente, gozo, loucura de droga, bebedeira, desespero, solidão, coma e sei lá eu mais o quê. e gente, os peitos dela não mexem. que aflição. puta gostosa (ops), mas sério mesmo, peitos sem movimento não são legais. fica a dica pra quem pensa em pesar a mão no silicone. outra dica: gostosura e perfeição não são sinônimos de sensualidade. débora é sexy como uma avenca bem-tratada. deu certo não, viu. pra convencer como puta bem-sucedida e sedutora ainda falta muito.

fiquem à vontade para comparar ao nome próprio, adaptação cinematográfica do meu primeiro romance máquina de pinball y outros textos meus; o filme não é meu, já disse mil vezes. mas não tem ABSOLUTAMENTE NADA a ver com bruna surfistinha. só gostaria de pontuar. porque é claro que aquelas pessoas sem argumento, sem informação e com coceirinha de polêmica na ponta dos dedos vão fazer a relação internet-livro-cinema. mesmo que né, nome próprio NÃO SEJA minha biografia, eu tenha blog desde 2001, escreva meus próprios livros e, bem, não tenha me prostituído. no caso. dizer que as duas são "crias de internet" é argumento fácil dos desinformados.

o filme é um desastre: roteiro sem sentido, filme mal-estruturado, montagem desconexa. historinha da garota que fugiu, se prostituiu, se drogou e se redimiu. sério mesmo que precisa de redenção? que coisa mais careta. e gente, não podiam feito uma consultoria a respeito de quantidade de droga, preço de aluguel, de programa e quanto uma buceta agüenta de pica em um dia? totalmente inverossímel. ok, é cinema, é entretenimento, mas não precisa apelar assim só pra fazer um soft porn com uma global gostosa pagando de maldita. metalinguagem falha, falas incoerentes e direção de arte exagerada. a menininha nerd e desajeitada (WOT) vira um mulherão incrível de repente, uma patricinha gostosíssima, com lindos cabelos, cílios postiços e maquiagem impecável até quando está desabando. tenho 0:16 minutos de bateria (esqueci minha fonte) e amanhã me aprofundo em detalhes. como o momento em que toca fake plastic trees, do radiohead. thom yorke, pára de dançar e presta atenção nos filmes que você permite tocar a sua música, gat... moço. se bem que a trilha é a única coisa que se salva no filme. metalinguagem falha, atuação falha, roteiro e direção falhos, filme falho. algumas cenas divertidas. as dramáticas são constrangedoras, assim como o final. porque ninguém sério pode cair nessa de redenção. que fique claro, não estou me referindo à pessoa raquel. não conheço, nunca vi, espero que esteja bem e aproveite aí o sucesso, beijos. me refiro à bruna surfistinha do filme, uma figura triste, inexpressiva, que não passa sequer uma gota daquilo que leva à tal redenção fuiputasofriagoracasareietereifilhos do final.

ou seja, provavelmente um grande sucesso de bilheteria e, fazer o quê?, de crítica. alguém duvida?

se eu soubesse (desconfiava), tinha empurrado as travas e ido embora na chuva.


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*