11 de Fevereiro de 2012

Gata escaldada etc

E já começou de novo a palhaçada de me perguntarem se eu vou para a Fazenda, aquele reality show da Record.

NEM ACABOU O BBB AINDA, SABE. FOCO, VOCÊS.

(Vocês que gostam dessas coisas, no caso.)

E não, eu não vou para a Fazenda.

"Mas todos os participantes disseram isso!"

"Mas a Valesca (!) disse isso!"

Olha só: eu não vou para a Fazenda porque o tipo de exposição que ela proporciona não me interessa. Eu não quero ser famosa. Não assim, não essa fama.

"Mas você fez um reality show!"

Fiz. Fiz porque eu precisava de dinheiro e não tinha idéia da merda que ia dar. Fiz porque achava que ninguém assistia essas coisas - pelo menos ESSE programa. E eu só conhecia o gringo, o "Wife Swap". Quer dizer. Naquela época eu tinha bem menos noção da TV aberta do que agora - vocês podem imaginar com era, já que hoje, depois de um ano trabalhando no R7 e andando pelos corredores da Record diariamente, eu ainda sei pouco sobre o funcionamento da coisa toda. Fiz porque achei que podia escapar ilesa, coitada. Eu devia ter me tocado que eu já sou mal compreendida mesmo sem uma edição me sacaneando e me fazendo parecer (apenas) doidona, né? Devia ter me tocado que a outra vez que eu tive uma grande exposição foi quando fizeram o filme do meu livro, aquele que não tem absolutamente nada a ver com nenhum dos livros e que é creditado a mim. E que não consigo me livrar disso até hoje. Ou me conhecem pelo programa (tem pelo menos uma pessoa por dia que me olha com cara de nnnnnnossssssa a mulher da tv - sim, ainda), ou me conhecem por causa da época do filme.

Pelo que eu faço ninguém me conhece.

Oquei, ninguém é exagero. Mas são tão poucos.

Eu sou es-cri-to-ra. E escrevo livros. E textos diversos, que também podem virar livros. A parte de que ninguém consegue encontrar os meus livros porque as editoras não gostam de dinheiro e não fazem outras tiragens será resolvida em breve, já que eu estou abrindo minha própria editora de e-books, a... Averbooks.

O nome foi cunhado por meu jovem amigo @vyktorb, o Vyktor Berriel. Por enquanto, relançaremos apenas os meus livros, porque plmdds, eu quero ser LIDA.

É claro que isso não me impede de fazer outras coisas, de ter um programa, de ter uma banda, de fazer o que eu bem entender.

Mas é essa a minha legenda: escritora.

É essa a `fama` que eu quero. Era aqui que eu queria chegar.

Eu não quero ser `famosa`. Quero ser reconhecida. É TÃO diferente. Não quero ser reconhecida no metrô pela tiazinha da sacola. Eu tenho aquele delírio Bandínico de ser uma escritora. Oquei, eu já sou, né? Mas uma escritora LIDA. Adoro quando alguém chega em mim pra falar isso. É tão legal, eu fico tão feliz. De verdade. Me sinto um pouco menos CANTANDO PRA SURDO, que é a analogia perfeita para fazer literatura no Brasil.

De novo: eu quero ser lida.

Pra isso, acho que vou ter que mudar de país, né? O Vida de Gato, quando foi lançado na Inglaterra, vendeu mais exemplares no lançamento do que no Brasil.

Dá pra acreditar?

Dá.

O Brasil é um país de televisão. Ela é a diretriz de tudo. É a tv que manda na moda, nos comportamentos questionados/aceitos, na música, nos esmaltes, nas gírias, nas pautas. A televisão (ainda) pauta o país. A internet também, claro. Mas a televisão pauta a internet. É só ler o twitter no horário da novela, do BBB, em dia de jogo, dia de Faustão... Enfim.

Pouquíssima gente lê aqui.

Engraçado, né: as listas dizem `mais vendidos` e é isso mesmo que eles são. `Mais lidos` é outra história.

Sempre se preocuparam mais com minhas tatuagens e minhas atitudes `polêmicas` do que com eu FAÇO. Com o que eu pareço e não com o que eu SOU. Que merda! É por isso que tem tanta subcelebridade nesse país. É essa a cultura de subcelebridade: imagem e . Aparecer e . Conteúdo? Quem liga? Importa mais a saia curta ou a merda que a pessoa disse do que alguma coisa legal que ela tenha feito. Ou: ela ter feito alguma coisa, enfim.

E não é um programa de TV que vai `aumentar as vendas dos livros`, como algumas pessoas com retardo acharam que aconteceria após exposição massiva em horário nobre. Aquelas mesmas pessoas que acham que eu inventei tudo pra `aparecer`.

Oh, please.

Então, por favor, anotem aí:

Eu não vou pra porra de Fazenda nenhuma. Sim, me sondaram a respeito. Mas seguindo ensinamento sábio que aquela rapariga linda nos deixou: no, no, no.

Um forte abraço

c.

(Assistam menos TV - não precisam TROCAR a televisão por nada. O dia tem 24 horas, quinze minutinhos de leitura diária, um filmezinho por semana, sabe? Dá. É só querer. Prometo que vai ser bom. É só achar as coisas certas. Todo mundo tem as suas.)

Ah, e:


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*