16 de Novembro de 2009

isso ainda não é hora

são cinco e meia da manhã. hoje eu vou para vitória com o meu marido. amanhã dou uma palestra no rede cultura jovem – o espírito de um tempo. michel melamed, negra li e vários outros também serão palestrantes. o evento começa na terça. hoje sendo segunda às 5:38 da manhã e amanhã sendo terça. acordei agora por causa de um sonho bizarríssimo. não sei se foi o azeite de dendê. porque eu cozinho pra cacete, não sei se alguém consegue imaginar isso. nem meu marido imaginava. aliás, meu post seguinte seria sobre nossa ida ao rio de janeiro. acho que pode-se dizer algumas coisas.

1. eu odeio ar condicionado;

sinusite pós-ônibus

sinusite pós-ônibus

2. teve isso:

mar cura sinusite e amorzinho também

mar cura sinusite e amorzinho também

3. teve isso, objetivo 01:

show no zozô

show no zozô

mrs. sings the heart out

mrs. sings the heart out

4, finalmente, teria isso

foto inacreditável da cris lustosa (http://www.flickr.com/photos/crislustosa)

foto inacreditável da cris lustosa (www.flickr.com/photos/crislustosa)

e isso

outra foto da cris

outra foto da cris

são fotos da passagem de som do projeto gloss.

mas acabou a luz do brazil e não houve show. haverá, porém, dia 24. cinemathéque. depois eu falo disso. isso foi o rio.

mas o que me fez levantar agora, às já quase seis da manhã, foi o sonho bizarro que eu tive. era uma festa. alex antunes tinha escrito uma matéria faltando umas letras (parecia uma nova grafia, tipo essa coisa que não aceito de não usar acentos) sobre minha pessoa. envolvia os porcas borboletas (pra quem não sabe, a letra de menos é minha.) acho engraçado quem fala que é a melhor coisa que fiz na vida sem nunca ter lido outra coisa. rarar. ah, os pequenos preconceitos. você pode escutar aqui. tinha uma festa de lançamento da revista em um lugar longe e sujo. tipo um sítio meio abandonado com uma gente nada a ver. entre as pessoas a ver lembro de mateus potumati, pedro potumati, alex antunes, emerson gasperin, fábio bianchini, paulo terron e talvez mais alguém. não tinha nenhuma mulher. a matéria era muito estranha. era sobre como eu não era uma jornalista (tentei ser aos 20 poucos anos e vi que não) e era uma artista peculiar. falava sobre minha banda. nosso disco tinha sido lançado. falava muito bem. tinha declarações minhas tentando explicar que eu não era nada do que imaginavam, que cuidava da minha filha, cozinhava, escrevia, compunha, vivia, acordava de manhã, às vezes acordava à tarde, não era uma junkie e acreditava no bem. tentando explicar que minha insanidade temporária recente me fez mais forte e que TUDO TINHA MUDADO. aqui, na vida, as coisa não tinham mudado ainda. estava frágil. quando acordei - TUDO TINHA MUDADO. as coisas faziam mais sentido. eu era eu de novo, forte e pronta. tanto que levantei nesse horário indecente e vim escrever. a casa da festa fedia a merda. a viagem tinha sido longa e eu queria tomar banho. não dava. todos os banheiros eram grosseiramente sujos. todo mundo me olhava. me sentia também grosseiramente suja. meu cabelo estava embaraçado, eu estava suadae com maquiagem borrada e mal-vestida (eu!), o lugar suava e as pessoas olhavam a revista e me encaravam. o lugar, repito, fedia a merda. tive uma breve conversa com os jornalistas presentes no lugar (segurando copos de plástico com cerveja quente) sobre como uma certa matéria mudou minha vida e me fez ver que não quero ser uma jornalista-artista que fala sobre outros artistas, como alguns fazem tão bem. não é a minha praia e é um dos textos mais cagados da minha vida, sendo que desde os treze anos eu queria fazer uma capa da bizz. bom, fiz. isso não me impede de escrever toda a sorte de matéria em toda sorte de revista. mas não aquilo. uma hora eu explico. já me expliquei pra quem devia e hoje ela faz parte da sisterhood do meu coração - isso não enche uma mão e meia. a casa fedia, repito. era no meio do mato, tinha chovido, o capim estava alto, os mosquitos me atacavam (isso foi realmente muito realista) e eu acordei na minha cama naquele horário supracitado. beijei o reginaldo, declarei amor e disse que ele mudou minha vida acabando com ela. isso antes, claro. amanheceu com cheiro de chuva, não preciso regar minhas plantas (eu também tenho plantas, milhares delas, sou louca por plantas e flores e cuido como se fossem filhinhas) e voltarei para cama agora, às seis e trinta e oito da manhã, pois meu despertador tocará às nove, todo mundo acordará - meu pai e minha filha estão aqui e então farei as malas e me dirigirei ao espírito santo, onde palestrarei e verei minha avozinha de 80 anos que acaba de perder meu avô após 53 anos de casamento. não vou até lá desde 1996. me sinto bem. esse sonho pode não ter feito diferença alguma para você. mas foi libertador para mim. senão não estava aqui na sala às 6:39 da manhã escrevendo.

vejo vocês em vitória,
ou na volta.

postarei algumas músicas ao vivo no zozô em breve. até gravarmos nosso disco decentemente as gravações se chamarão demos. mas assim: demos no quartinho (já existem), demos no zozô (ao vivo com as músicas devidamente arranjadas e todos os membros) e demos no joão, que gravaremos na volta.

me sinto bem. me sinto eu de novo e isso não tem preço.

um beijo e bom dia a todos.


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*