05 de Maio de 2012

meias pretas

enjôo, enjôo, enjôo. queria lavar as tripas em água morna e deixar secando no parapeito enquanto durmo oca.

não dá pra ter tudo. esse foi o erro de cálculo da coisa toda, querer ter tudo, dar tudo. não funciona. o amor é exclusivista, amor. a gente finge que não se importa, se pá até nem se importa na maior parte do tempo, mas sempre tem aquele momento que sangra o espetinho no coração.

eu não quero ser a mulher da sua vida, já sou da minha. e não é porque eu acho que todo mundo é meu coadjuvante, beibe, beibe, olha só o que você me disse: já me apaixonei sim, mas gosto mais de mim. eu também, eu também gosto mais de mim, cansei desses romances fadados ao fracasso e que acabam com a partes juntando as partes do chão, em poças de sangue, choro e porra. amor assim não; assim eu passo, amor.

mas morro de saudade das suas meias.

morro.


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*