25 de Junho de 2012

o garfield é que sabe das coisas

segunda-feira, 25 de junho de 2012.

acordei assustada com o barulho da empregada chegando. o fernando se recusa a entregar a chave a ela e toooda vez tem que descer e abrir a porta. certo. a mulher consegue ser mais estabanada do que eu, o que, devo admitir, é um feito e tanto. foi um tal de derrubar vassoura, esbarrar em sei lá o que, bater porta, fechar tampa de privada e bater panela por horas a fio até que resolvi levantar da cama quentinha de amor e ligar para a unimed para pegar a senha de autorização da minha ressonância da coluna, que aconteceria às dez e trinta da manhã. depois de meia hora no telefone, a ligação caiu. depois de mais meia hora no telefone, o plano negou a autorização devido à caralha do período de carência e eu voltei pra cama chorando. mentira. mas voltei pra cama, pois nada mais me restava. cama e remédios para a dor. e amorzinho.

quando consegui pegar no sono, a mulher delicadamente bateu na porta e pediu pra limpar o quarto. levantamos, pois, e fomos aos afazeres. quando voltamos, fui procurar meu opiáceo da sorte que tem me salvado nesses dias de sofrimento de coluna. CADÊ? a mulher sumiu com o remédio. SUMIU. procuramos pela casa inteira. não estava. revirei o lixo no meio dos crackeiros da consolação. não estava. fomos ao pronto socorro pegar uma receita, pois tramal é um remédio controlado. certo. foi relativamente fácil, até descobrirmos que o médico TINHA ESQUECIDO DE CARIMBAR A RECEITA. rodamos TODAS AS FARMÁCIAS DA REGIÃO tentando encontrar algum farmacêutico com coração que vendesse meu tramalzinho mesmo sem carimbo e ajudasse a cessar meu sofrimento, mas é claro que não rolou.

voltamos ao hospital. peguei outra receita, com outro médico, com carimbo, com muita dor.

quando eu digo MUITA DOR, quero realmente dizer MUITA DOR. sou uma pessoa que pariu na cama sem anestesia, sabe? meu limiar de dor é dos altos. mas essa, olha, essa dor não dá pra suportar. eu sei, deveria ter visto isso antes, yada yada, é um pinçamento, uma hérnia, sei lá, descobrirei hoje, em breve, em uma ressonância no meio da madrugada que me custará os olhos da cara e talvez o do cu.

já tentei quiroprata, osteopata, um ortopedista maluco que disse "que bosta" quando falei da dor, tentarei outro ortopedista. já recebi tantos conselhos que estou pensando em vender alguns.

voltemos a hoje:

depois de umas TRÊS FUCKING HORAS rodando pela cidade cheia de trânsito, consegui meu remédio.

agora está tudo bem e eu sou uma nova mulher, ou a mulher de antes, sem dor. mas olha,

QUE DIA, meus amigos, QUE DIA.

vou ficar quieta porque é aquela coisa: nada é tão ruim que não possa piorar.

thank you, ma babe, por me guiar por essas ruas tortuosas da vida de merda mesmo estando cheio de coisas pra fazer.

eu cuido de você, você cuida de mim.

prrrr


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*