04 de Julho de 2011

O que as mulheres querem?

Resposta: não faço a menor idéia.

Essas teorias sobre o modus operandi de como satisfazer todo um gênero nunca me convenceram. O que eu gosto e espero de alguém é certamente diferente do que minha vizinha da frente espera, do que minha BFF espera, do que minha mãe espera. Algumas esperam segurança, outras esperam carinho, outras esperam apoio, outras esperam que o cara pague a conta, sei lá, eu realmente não consigo fazer uma lista do que todas as mulheres que eu conheço querem num homem. Isso depende muito do modelo de homem de cada uma, do pai, da história, do que a pessoa almeja.

Por mais que eu secretamente pense que todos os homens só querem mesmo é uma mulher gostosa que faça o que eles mandam e não descubra suas mentiras (desculpe), tenho tentado acreditar um pouco mais no sexo oposto. Só um pouquinho.

Aí começo mentalmente a fazer uma lista (minha, só minha) do que gostaria em um rapaz. E olha, eu tenho um pouco de medo de escrever esse tipo de coisa porque parece que alguém ESCUTA e um tempo depois aparece uma pessoa exatamente com as características descritas. E acaba com a minha vida. Sabendo isso, tentarei colocar de maneira minimamente sensata o que eu acho que um rapaz deve ter para que eu o considere um bom companheiro de conchinha.

Primeira coisa a ser colocada: eu não PRECISO de um homem. Não preciso de homem pra trocar meu chuveiro, meu galão de água, as lâmpadas de casa, pra lidar com o zelador, enfim, pra fazer qualquer coisa por mim. Eu me viro. E, se não me virar, contrato alguém pra isso. Não é isso que eu quero em um homem. Também não tenho aquela fantasia absurda de ter *um homem que me sustente*. Ora, eu gosto de pagar as minhas contas. Não sei lidar com homem que tem a terrível síndrome do "quero ser seu homem e cuidar de você". Por favor. Eu sei me cuidar. Uma coisa é dar uns presentes, bancar umas coisas bacanas, sei lá, mas ficar querendo adotar a pessoa e controlar tudo que acontece me faz sentir sufocada e diminuída. A frase "não quero que nada aconteça com você" me dá calafrios. Eu quero. Quero que as coisas aconteçam, coisas boas, coisas não tão boas, enfim, coisas, e que eu consiga lidar com elas sozinha. Pode ser? Sem querer bancar o grande provedor? Não preciso de provedor. Eu sei prover. Obrigada.

Aí eu pensei em um monte de coisas que eu *quero*. Inteligência é obviamente o primeiro item, junto com #humor. Se a pessoa for inteligente mas não tiver senso de humor não tem nem como começar a dar certo. Pensei em listar gosto musical, faixa etária meio, forma, cor, gosto, mas me dei conta que nada disso importa. Importa uma coisa só: COMPATIBILIDADE. A primeira vez que ouvi essa palavra foi quando ganhei um videogame CCE aos, sei lá, 10 anos? Eu queria um Atari. Meus pais não possuíam reais para um Atari. Primeiro eu fiquei meio chateada, poxa, estava esperando um Atari. Aí meu pai disse: "é COMPATÍVEL com Atari, Claríssima!" Eu na hora não sabia o que era compatível. Pensei numa compota. Aí entendi que ia poder jogar igual, ia poder jogar os mesmos jogos, dava praticamente na mesma. E fiquei feliz. Sei lá. Estava quase dormindo agora e lembrei disso. Porque eu (e o resto da humanidade) às vezes fico idealizando uma pessoa, vem outra e eu não percebo que ela é exatamente o que eu preciso. Como já diria o sábio Mick, you can't always get what you want but if you try sometimes you might find you get what you need. Me desculpem pela analogia barata dos videogames, a cabeça da pessoa funciona assim. Poderia ainda me estender e falar que já tive momentos de querer que uma fita de Odyssey coubesse no meu CCE mas aí já seria demais, né?

Vocês entenderam.

Acho.


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*