19 de Julho de 2011

os doze trabalhos de averbuck

não sei se é da sua época, mas toda vez que me deparo com algum tipo de burocracia eu lembro de uma passagem de "os doze trabalhos de asterix". sim, fui criada lendo quadrinhos e pretendo ficar caduca mantendo o hábito.

nunca fui uma pessoa familiarizada com a burocracia. eu simplesmente não entendo como as coisas funcionam. alguém entende? sério mesmo, ninguém entende, vamos combinar. o fato é que os últimos 06 meses da minha vida se resumem à minha pessoa afogando em burocracia, arrancando os cabelos e chorando com o rosto entre as mãos enquanto sapateia em cima do chapéu.

cada dia era uma novidade (ruim). cada novidade (ruim) trazia consigo mais uma novidade (ainda pior).

NUNCA me pediram tanto papel, tanta segunda via, tanta VIA AUTENTICADA, tanta rubrica, tanta loucura, loucura, loucura. os burocratas devem achar que loucura é gravar um programa diário de #humor, sei lá. pra mim insanidade é ter que lidar com o pessoal do administrativo, cartórios e contadores. finalmente consegui convencer meu pai a ser meu sócio para que eu pudesse abrir minha empresa O CACHORRINHO RIU LTDA (porque o importante na escolha do nome da sua empresa é a CREDIBILIDADE) e minha vida começou a se resolver.

não.

na verdade não foi nada disso.

conseguir abrir minha empresa foi o começo da resolução da parte de um problema maior chamado MINHA VIDA.

porque aí, no dia do meu aniversário, eu consegui perder o meu cartão do banco. mas não era de qualquer banco. eu sou correntista do BANCO DO BRASIL. alguém entende o que isso significa na vida bancária de uma pessoa? significa ter que lidar com FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS. todos sabem que a maioria dos funcionários públicos fazem bolões semanais pra ver quem faz mais gente chorar. aquele senhor da agência do banco do brasil da angélica deve ter entupido o rabo de picanha às custas de minhas lágrimas. eu nem vou contar toda a história porque 1. vocês dormiriam 2. vocês não entenderiam 3. não agüento mais nem pensar nisso.

só posso dizer que meu aniversário foi dia 26 de maio e meu cartão chegou na sexta-feira, dia 15 de JULHO. que durante esses meses eu tinha que sacar quase diariamente em uma agência que fica no caminho para o trabalho com minha CÉDULA DE IDENTIDADE como se fosse analfabeta. que deixei de fazer mil coisas porque não podia gastar o dinheirinho do dia seguinte. que a história toda era tão absurda que alguns chegavam a achar que eu estava era inventando tudo por ser uma judia pão-dura. que o tempo perdido na fila da agência onde todos os aposentados confraternizam dava pra terminar meu livro e começar outro. e que eu preferia perder todos os meus dentes e ter um olho vazado do que passar por isso de novo.

e que amanhã eu recebo meu salário e minha vida volta a ser boa.

Os 12 trabalhos de Asterix - Permissão A 38 on Yippr

(mas é claro que nada é perfeito, hoje começa a fazenda e outro tipo de insanidade tomará conta de nossas vidas)


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*