21 de Julho de 2011

passou

hoje eu saí do trabalho, peguei a minha carona com a @rosana (todo o tempo com ela é precioso, amo) e parei em um lugar no caminho de casa pra comer um negocinho. fazia muito tempo que eu não ia lá. é uma praça de alimentação avulsa que tem na maria antônia, perto do mackenzie, sempre cheia de universitários. negocião abrir um bar na maria antônia, aparentemente os bares estão sempre mais cheios do que a faculdade. sempre penso em dar a dica de pegar o dinheiro dos pais pra fazer alguma outra coisa mais produtiva já que vão ficar mesmo bebendo no bar, mas temo represálias.

enfim.

parei na praça de alimentação pra comer um negocinho e lembrei que era lá que eu ficava no ano passado quando estava completamente quebrada, pobre, triste, sem rumo, sem auto-estima e sem amigos. eu não tenho muitos amigos. os que eu tenho sei que são para toda a vida - ou pelo menos boa parte dela. esses não estavam por perto nessa hora. não tinha ninguém por perto. minto, tinha sim: gente que sentia prazer em me ver fodida. por algum motivo, isso faz bem a um tipo de parasita que gosta de "poder ajudar".

eu ficava horas naquele lugar consumindo tipo ÁGUA - ou nada, às vezes - pra poder usar a internet, um luxo que eu não tinha na minha casa. parece exagero, né? olha, se vocês soubessem. se soubessem da metade sobre o ano passado. METADE. envolve corte de luz, longos percursos a pé e uma angústia pinicando com o medo de que minha vida nunca mais resolvesse e eu não conseguisse mais nada. nunca mais.

mas eu não sou uma desistidora.

peguei minhas idéias e

fui tentando.

fui tentando.

fui tentando.

não é fácil ficar tentando.

é muito fácil desistir.

NADA vem de graça nesta vida, eu não sei se vocês sabem. obviamente algumas pessoas têm mais sorte do que as outras. mas se elas não souberem usar a sorte ela não servirá para absolutamente nada. outra: ninguém é sortudo o tempo inteiro. assim como ninguém é zicado o tempo inteiro. salvo raras exceções, é claro. como diz a @rosana, o status é flutuante. o nosso, no caso. já tive muito dinheiro, pouco dinheiro, nenhum dinheiro, muitas ofertas, nenhuma oferta, minha casa, casa dos outros, minha casa com outros, nenhuma casa. não me envergonho de nenhum dos meus momentos e nem tento esconder passado. não me orgulho de tudo, mas tentar varrer caco de vidro sujo de sangue pro cantinho do quarto não me parece uma solução mágica que mude o que já foi. foi, passou. assim como passou a merda da fase caótica que se instaurou na minha vida no começo de 2010 e só acabou mesmo agora.

hoje. ontem, porque já são quase quatro da manhã.

talvez meu subconsciente tenha me levado até lá pra que eu me desse conta justamente disso. tinha que ser hoje. porque está quase tudo no lugar. eu gosto da minha vida, eu gosto de mim e tenho amigos que amo p ra ca ra lho perto de mim. alguns eu conheci neste ano mas já sei que não são pessoinhas efêmeras na minha vida como foram alguns outros, alguns vários, que tentaram forçar convivência, forçar interesse, forçar identificação. agora só tenho perto gente que eu QUERO. cortei os excessos de tudo. de gente, de bebida, de pressa, de paciência.

agora sim dá pra continuar.

com as pessoas certas para os lugares certos.

o resto tem que ficar no passado mesmo. e me deixar seguir com meu presente.

(escrevi este post no iA Writer, MELHOR EDITOR DE TEXTO DA HISTÓRIA. me dá até mais vontade de voltar a escrever :~)


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*