06 de Junho de 2011

porra, jilberto

eis que eu descansava tranqüilamente em minha casa, deitada na minha cama, abraçada nos meus travesseiros e com os gatos me esquentando os pés.

eu moro há sete anos em uma ruazinha colada na praça rusvel. quando mudei pra lá, em 2004, a praça ainda não estava completamente abandonada. ainda dava pra dar uma passeadinha, levar a filha pra andar de bicicleta, comprar umas flores, sei lá. a decadêcia foi chegando, o mercadinho e as floriculturas que ficavam embaixo da rusvel foram fechando e a "praça" virou um antro de pombos, leptospirose e mendicância.

na madrugada de sexta pra sábado eu acordei com minha casa TREMENDO. acha que eu estou exagerando? olha só o vídeo que eu fiz da varanda do meu quarto.

a praça roosevelt está em decadência há anos. ninguém nunca se importou com nada do que acontecia lá. conheço muita gente que foi assaltada ali. eu mesma sofri tentativa de assalto. meu amigo mário bortolotto levou quatro tiros no teatro parlapatões e quase morreu. nada aconteceu. nunca se importaram com aquele pedacinho da cidade, nem depois da *revitalização* da augusta, quando a praça escura virou refúgio de ladrõezinhos e fumadores de crack.

agora, com a proximidade das eleições, resolveram correr pra arrumar a praça.

olha só, prefeito jilberto, vou te contar uma coisinha: não é assim que se impressiona o eleitorado. não é assim que se consegue voto. se eu antes já não votava em você manem fudendo imagine agora que eu fui acordada com uma retroescavadeira fazendo minha casa tremer e acordando toda a vizinhança às duas da manhã.

não adianta posar ao lado do incrível projeto. não adianta prometer a obra para setembro de 2012. não adianta fazer tudo correndo pra tentar fazer pegar bem pra galera.

desci de pantufas no frio pra fazer esse vídeo. NÃO É POSSÍVEL que alguém ache isso certo. pior: essa obra provavelmente tem o alvará da prefeitura. quer dizer, eles se auto-concedem um alvará? que eu saiba só é permitido realizar obras no meio da madrugada em caso de CALAMIDADE PÚBLICA.

porra, jilberto. pára com essa merda. eu preciso dormir. eu e todo mundo que mora ali.


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*