01 de Junho de 2011

tentando evitar o inevitável

hoje, gravando um ex-tricô que será exibido na ausência de lelê (ela vai correr o mundo atrás dos pingos de juno), discordamos em uma resposta. normalmente concordamos. quando discordamos na vida é super de boa - não somos a mesma pessoa, não precisamos concordar em tudo. mas resolvi me aprofundar nessa questão.

foi o seguinte: a menina perguntava porque só se interessava por homens comprometidos. a lelê disse "porque você se interessa pelos homens errados". eu discordei. não estou (apenas) advogando em causa própria. mas isso já me aconteceu inúmeras vezes. algumas vezes eu recuei. porque eu sabia que era um interesse passageiro. porque eu sabia que o cara só queria me comer. por motivos que talvez não consiga racionalizar. outras vezes eu levei adiante, mas nunca como amante - não é pra ser amante. não é pra pegar cara casado e nem que tenha namorada. nem precisei dizer "ou eu, ou ela" porque eles mesmos trataram de terminar pra ficar comigo - eu sabia que era sério, eu sabia o que queria e eu sabia que depois que bate assim forte as coisas não têm volta. nem sempre é uma escolha. as coisas não voltam ao normal na vida só porque a pessoa *escolhe*. meus três ex-maridos namoravam quando me conheceram e largaram as namoradas pra ficar comigo. um namorava há uns dois anos, outro há seis (tinha inclusive morado fora do país com a moça) e o outro há SETE. os três foram muito importantes na minha vida, e inclusive um deles é pai da minha filha. quer dizer, não chego nem perto de me arrepender. em nenhuma das três vezes. nenhuma foi perfeita, mas é assim mesmo, nada é perfeito e as coisas chegam ao fim. não significa que deu errado, que você é um perdedor, que só fracassa na vida a dois. só significa que acabou. algumas coisas acabam.

gostaria de pontuar também que já fui *trocada*, não sou apenas uma destruidora de lares sem escrúpulos.

acho sim que algumas paixões podem ser controladas. já passei por algumas dessas. quando minha filha tinha 03 meses eu me apaixonei por um rapaz. fiquei bem encantada. mas não fiz nada. pufavô, minha filha tinha 03 meses e eu era casada. meu casamento não era a coisa mais maravilhosa do mundo, sempre foi turbulento e tinha muita brecha pra dar merda. tanto que aconteceu - mas não comigo, com ele. se apaixonou e resolveu ficar com a outra. se arrependeu depois. pois bem, é parte do perigo de fazer uma escolha. você pode julgar que aquilo é o certo e se arrepender para o resto da vida.

paixão é assim. você pode tentar controlar. tentar evitar. tentar esconder. ignorar. mascarar. esquecer.

às vezes funciona.

às vezes não adianta.

as pessoas não pertencem umas às outras e ninguém escolhe por quem se apaixonar. acho totalmente plausível amar uma pessoa, ter uma vida confortável e acomodada e de repente conhecer alguém que causa um furacão nas suas entranhas. não dá pra dizer que isso é ERRADO.

e aí?

é pra evitar?

é pra fugir?

talvez.

eu já fugi.

mas porque era possível.

mas

não existe caminho pra fugir do inevitável.

(concordando ou discordando: para pensar no assunto recomendo "manhattan", do woody allen. lá tem uma história inevitável, pessoas magoadas, pessoas felizes, pessoas apaixonadas, pessoas neuróticas, pessoas problemáticas, pessoas inteligentes e a vida como ela é. ou deveria ser. ou não.)


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*