14 de Junho de 2009

that's life

demorei?

estava ali vivendo. quem não vive não tem assunto e nem histórias. estava ali me equilibrando, trocando de psiquiatra, de remédios, recobrando minha sanidade. estava ali refazendo meus laços. só não quero recobrar quinze quilos, uns cinco está ótimo. "pra academia", disse adriano. é, é. felicidade quentinha na barriga outra vez, as coisas lentamente fazendo sentido e eu vendo aqueles olhos verdes me vendo.

o que eu posso dizer?

paparapapa
paparararararatatau

estava ali compondo as mais belas músicas que já se fez nesta casa. e mudando tudo.
tudo.
e ouvindo peter doherty. pagando um pau. eu e ele pagando um pau. queria saber quem fez aquela enquetezinha cretina do uol perguntando aos leitores se peter conseguiria - calma, vou até ver o termo:

(peraí que me distraí com uma manchetezinha: "fragrância notorious, da ralph lauren, tem cheiro pálido". o que seria um cheiro pálido, senhor? só consigo imaginar cheiro de morte. vamos ver a descrição. oquei, faz algum sentido. ainda assim, de agora em diante cheiro pálido é cheiro de morte. morte de 1909, uma morte bem antiga)

de volta ao termo. era retomar. peter doherty conseguirá retomar a carreira de músico? a carreira eu tenho certeza que ele vai retomar, mas e daí? é você que paga? que vende? desde que ele continue compondo essas músicas que rripiam, ele pode retomar a carreira do que ele quiser. músico mesmo ele provou ser agora, com grace/wastelands - gosto de pouco do que ouvi antes, libertines e babyshambles, mas as letras sempre foram fora de série. poeta ele sempre foi, desde que estávamos voltando de trem para londres após dormir na casa do uncle phil dele em uma noite surreal que envolveu cavalos e os strokes, sempre escrevendo naqueles diários dele. você pode dizer que não gosta do peter. pode achar que o peter é um junkie. mas duvidar do talento dele nada mais é do que burrice. desculpe, mas é verdade. escute broken love song, senhor criador da enquete, ela foi feita para uns caras como você.

Take a broken love song
Keep it by your side
Never be lonely
Find a place to hide

By the west way
Inside the scrubs
How long must we wait?
For they're killing us?
Killing us

Oh
They are the loneliest
They are the loneliest
They are the loneliest
They are the loneliest
Still

Through my cell window
Hear the loft boys sing
Come on you arse
Carried on the wind

Every morning
I'll be singing
Like a caged bird who might say
John, Paul, George and Ringo
Help me pass the hours away

Free as a bird
Would I be
Another dawn creeps up on me
On me
Ah, ah, ah, ah, ah, ah

They are the loneliest
They are the loneliest
They are the loneliest
They are the loneliest
Still

Letters from faceless haters
That'd love to
See my swinging in my cell
Oh I never saw a man
who looked like such a wistful eye,
upon the little tent of blue prisoners
call the sky

They are the loneliest
They are the loneliest
They are the loneliest
They are the loneliest
Still

(eu levo tudo pro pessoal. mexeu com peter, mexeu comigo. rarara)

quer dizer,
é tudo uma questão de identificação. como diz a minha avó, o que seria do azul se todos gostassem do amarelo? foi assim que eu descobri que não sirvo pra crítica de música. não sei ser imparcial e se tenho que ser quero enterrar a cabeça no concreto. não sei ser imparcial e estou bem assim. eu e o nelson rodrigues. então estou bem acompanhada (sim, ele era um pulha, mas e daí? não estou falando de gentebouísse). fico feliz ouvindo peter enquanto outros acham uma merda o peter (mas ouvem e metem o pau), este blog (oi) e não acreditam que a amy winehouse vai voltar com um disco de esbofetear a cara de todo mundo. eu acredito. torço todos os dias quando dou minhas rezadinhas, enquanto outros fazem pfff quando sabem que eu estou gravando um disco ou ouvem sobre meu próximo livro. podem fazer. hoje eu e o adriano, passeando na feira do bixiga, concluímos que essa gente considera o sucesso alheio sua própria falha porque passam a vida inteira tentando e conseguem bosta. aí a culpa é dos outros.

só tenho uma coisa a declarar sobre isso.

a ypióca fui eu que levei de presente de 84 anos pro velho. grandes dias.

a ypióca fui eu que levei de presente de 84 anos pro velho. grandes dias.


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aliás,
meu coração chora.
VENDERAM A MINHA CASINHA NO BIXIGA.
eu já tinha até financiado a casinha dentro da minha cabeça.
eu já até morei, envelheci e morri lá.
esta era a verdadeira casinha (...inha) no bixiga, meu sonho que morreu. quando fui mostrar pro adriano onde eu moraria a placa de vende-se tinha sido removida. ai, não. chegou a me dar taquicardia. era a minha casinha no bixiga. só espero que não vire uma clínica de urologia (todas as casas belas desta cidade viram clínicas de urologia) ou algo assim, que não reformem, não derrubem paredes, não caguem a minha casinha. ela era toda original, com frisos no teto, louças originais, banheiras, lustres, alguns móveis dos anos 60 que permaneceriam. ela tinha um salão de festas e um pátio que dava pra... não sei. pra fazer qualquer coisa. e agora ela se foi. *suspiro*

por favor, senhor comprador, cuide bem dela.

por favor, senhor comprador, cuide bem dela

agora eu vou dar uma dormidinha porque ele vai chegar mais tarde. ele.
tudo tem jeito.
menos o que já morreu.
e a minha casinha que foi vendida a algum filho da puta com mais dinheiro que eu. (que difícil)

abracinho,


Clara Averbuck é escritora

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Ilustrações: Eva Uviedo

hand made by: SENSO*